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CULTURA DO CANCELAMENTO

O que define existência é pertencimento, e pertencer é existir. Trata-se de uma verdade inerente a natureza do ser. Todos somos quando pertencemos. Porque fomos criados para ser a partir do pertencer e se tornar parte de algo maior, acima e além de nos mesmos individualmente. Por isso, desde o princípio, antes do homem perceber que estava só, o próprio Deus declarou que não é bom para o ser humano, estar só, ou seja, não é bom que ninguém se sinta só, ou seja, por que sentir-se só e sentir-se não pertencente, e não pertencer é como não existir. Calma! Não se desespere. Vamos pensar juntos!

O CUSTO DO SER CANCELADO

A partir dessa perspectiva teológica do "pertencer é existir", a cultura do cancelamento nas redes sociais torna-se um mal preocupante, porque a partir do momento que alguém faz desse ambiente virtual seu lugar de pertencimento, ser cancelado é não mais pertencer, e não pertencer é ter que lidar com o sentimento de deixar de ser, ou seja, ser cancelado é como tornar-se ninguém. Nesse momento alguém pode se perguntar: Qual o sentido de viver se para todos não sou nada e a partir de agora não tenho mais ninguém? Esse tipo de pensamento já passou pela sua cabeça?

A conclusão que chegamos é que se pertencer é existir, o sentido de existir é ter sempre com quem compartilhar. Talvez, por isso, a geração mais virtualmente conectada de todos os tempos, seja também, a geração mais psicologicamente introvertida, solitária e triste de todos os tempos. Como diz o livro sagrado: "Não é bom que o ser humano esteja só". Portanto, se não é bom que ninguém esteja só, porque o bom de viver é ter sempre com quem compartilhar a vida de Deus que pulsa dentro de todos nós. É isso que faz valer a pena viver a vida. Viver por alguém além de nós mesmos, porque o sentido para existir tem que estar além de nós. Sendo assim, se todos vamos morrer, que seja então de tanto viver.


O ALTO PREÇO DO CANCELADOR

Mas será que alguém perde o sentido de ser somente quando é cancelado? Será que ser popular a qualquer custo não tem um preço muito alto? Já parou para pensar que o indivíduo virtualmente cancelado e o indivíduo virtualmente popular podem se encontrar no mesmo lugar existencial dentro desse universo do cancelamento virtual? Já parou para pensar que para não ser cancelado, muito acabam se auto cancelando? Como assim?

Se pertencer é anseio inerente a todos, para evitar ter que lidar com a dor de ser ninguém, para evitar a dor de não pertencer a lugar nenhum, alguém pode optar por pertencer a qualquer custo, até mesmo a prostituir-se em troca de pertencimento. Isso acontece? É possível alguém aceitar tornar-se qualquer "coisa" para se sentir pertencente, mesmo que essa "coisificação do ser" implique deixar de ser ele mesmo, ou seja, quem ele é de verdade? Infelizmente parece que sim. Parece que o auto cancelamento é real.

Infelizmente pessoas super curtidas nos stories da sua "pseudo vida social", ou super "hypados" nas suas redes sociais, podem se tornar pessoas estranhas para si mesmas e irreconhecíveis por aqueles que acreditavam um dia ter conhecido quem eram de verdade, principalmente as pessoas do seu ambiente familiar. Pessoas podem "abrir mão" da sua identidade para se sentirem pertencentes ao seu grupo social? Porque alguém faria isso?


É importante reafirmar que a dor por pertencimento é legitima, e que o apelo indiscriminado por pertencimento em detrimento do ser real, é ilusão, porque levará o indivíduo ao lugar de cancelamento existencial, como assim? Pensa comigo. Para não ser cancelado, pessoas reais sujeitam-se a algum nível de auto cancelamento, para então, poder se ver no status popular de cancelador. Resumindo, estamos todos encurralados, porque para não ser cancelado, eu tenho que me auto cancelar para poder pertencer.


O problema é que prostituir-se para pertencer, implica renunciar encontrar satisfação em ser você mesmo, para satisfazer o que o outro quer que você seja, ou seja, é se deixar ser levado como refém ao lugar de anulação da individualidade, ou seja, alguém simplesmente desiste de ser para poder pertencer.

Isso significa que se alguém deixou de ser, para pertencer, as pessoas nunca irão conhecer quem esse alguém é de verdade, e isso é tão terrível, que com o tempo a própria pessoa pode se perder do seu verdadeiro eu e não se lembrar mais de si mesmo. Assim as pessoas se tornam apenas projeções da expectativa alheia. Mas então, diante desse dilema, surge um questionamento: Existe realmente pertencimento? Quem está pertencendo se esse alguém pertencente não é mais você? Pertencendo ao que?


CONCLUSÃO

Parece que em nome de pertencimento pessoas já se perderam a tanto tempo de si mesmas, que provavelmente nem lembrem mais quem são. Esse cenário é triste, e além de partir o coração, é preocupante por sintomatizar uma espécie de suicídio social, se é que podemos chamar assim, porque se o suicida não quer se livrar da sua vida, mas sim da sua dor, e para isso tira sua vida, é possível que alguém para evitar ter que lidar com o dor de não pertencer, ao invés de tentar livrar-se da dor, se fira ainda mais.

Por isso, é possível alguém se entregar ao utilitarismo promiscuo em troca de aparente pertencimento, mesmo que isso doa a dor de renunciar a essência do ser alguém, mesmo que isso custe a dignidade do ser, mesmo que ninguém lhe atribua honra, nem reconheça seu real valor e significado.

O fato é que nascemos para pertencer, porém pertencer a qualquer custo pode comprometer a essência do ser e o sentido de existir. Pertencer parece não ser tão simples como imaginamos, porém, pode estar mais acessível do que pensamos.


Mesmo que todos ainda busquem por sentido da existência e pertencimento a partir de si mesmos, Deus Pai Criador dos céus e da terra, amou sacrificialmente, entregando seu Filho, Jesus Cristo para que todos que nele crerem, recebam o direito de pertencer, encontrem o caminho de volta para casa e sejam recebidos como filhos na família de Deus.





Seja bem vindo à família Anderson Bomfim www.andersonbomfim.com.br

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